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A arte inconsciente de Rappin Hood e dos Gêmeos

Por Marina Santa Helena

Entre as várias coisas que me deixam emocionada (sou mesmo uma manteiga derretida) é ouvir pessoas falando sobre o que fazem e perceber que elas amam aquilo de verdade. Foi isso o que aconteceu ontem, durante o último debate do ciclo Arte Inconsciente do CCBB SP. Quem esteve por lá falando um pouco sobre suas trajetórias foram os Gêmeos e Rappin Hood.

Mediado pelo jornalista Daniel Pisa, o debate começou com os artistas se apresentando e contando como foi o início de tudo, como começaram a criar e que impulsos os motivaram.

rappinhood

Mesmo sem ser fã ou algo parecido, eu incrivelmente já conhecia bastante sobre o Rappin Hood. Acho que isso se deve ao fato de ele ser naturalmente um contador de histórias, alguém que deixa transparecer muito de sua personalidade por meio de suas letras. Hood é um cara que, como ele mesmo diz, já nasceu com os três Pês, preto, pobre e da periferia. Correu da polícia, fez de tudo um pouco, mas, acima de tudo, sempre seguiu o conselho do avô: “neguinho pobre que nem você não pode tirar 10, tem que tirar é 11.”

gêmeos

Sobre a vida dos Gêmeos eu confesso que já não conhecia quase nada, apesar de gostar muito do trabalho realizado por eles. Otávio e Gustavo Pandolfo foram criados no bairro do Cambuci, em São Paulo, e trabalharam como office boys, bancários e estagiários em agência de publicidade, até 1999, quando finalmente veio o primeiro convite para um trabalho no exterior.

O mais interessante sobre a vida desses caras é que suas histórias se confundem com as bases da formação da cultura hip hop no Brasil. Nos anos 80, o movimento consistia em cerca de 60 pessoas que se reuniam no Metrô São Bento para dançar, compartilhar músicas e experiências, e quase sempre acabavam sendo expulsos pelos seguranças do local.”Hoje, quando vem neguinho pedir autógrafo pra gente, sempre lembro dessa época. Vinham uns seis caras atrás de mim e eu com as perninhas batendo na bunda de tanto correr”, diz Hood.

Quando perguntados sobre as principais diferenças entre eles e a nova geração da street art brasileira, tanto os Gêmeos quanto Rappin Hood foram unânimes: os mais jovens têm mais liberdade. Há vinte anos, o hip hop era considerado coisa de marginal, de ladrão, e sequer havia algo chamado “cultura hip hop”.

Segundo eles, hoje as pessoas têm mais liberdade criativa e mais informação, o que é muito bom. Mas, por um lado isso só permite que os realmente bons e que de fato gostam daquilo que se propõe a fazer, se destaquem. Gustavo ressaltou por várias vezes, “a gente nunca buscou o sucesso, a gente só queria de divertir e viver da nossa arte, porque é ela que nos move”.

Se ainda havia alguma dúvida, eles conseguiram provar que a principal diferença entre a boa arte a arte mediana é a quantidade de amor e motivação empregada em seu processo de desenvolvimento.

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