… e todo o resto é branco, asséptico. Assim como os jalecos que cada um que vai assistir à peça “Laranja azul”, em cartaz no CCBB, recebe antes de entrar no teatro e se sentar na plateia/arquibancada forrada de branco. O cenário é incrível. Nós, os espectadores, nos dividimos em dois e nos sentamos em volta da “sala”, um espaço montado no meio do palco, fechado, todo de vidro, onde se passa a ação. Lá fica sala dos psiquiatras de uma clínica. É lá que eles discutem a situação de um interno, um esquizofrênico negro, vindo da periferia. Eles lá, como ratos de laboratórios. E nós de fora, apenas observando.
Um dos médicos é Dr. Foster (Rogério Fróes), diretor da clínica. Um senhor. Anos de trabalho nas costas. O outro, Dr. Greg (Pedro Brício), o típico residente idealista. Eles divergem sobre o diagnóstico de um paciente, Christian (Rocco Pitanga) e, conforme as discussões vão se acirrando, vemos que há muito mais por trás disso do que apenas a causa médica: política, dinheiro, preconceito racial, preconceito de classes, preconceito com a situação mental do paciente, realização pessoal. Cada um defende o seu, enquanto Christian fica de um lado pro outro, sem saber qual caminho seguir.
A peça é ágil (e rápida, tem apenas uma hora de duração) e coloca todo mundo pra pensar no quanto os interesses de cada um podem se sobrepor ao bem de outrem. Sabe soco no estômago? É o tipo de coisa que todo mundo evita pensar, mas ao encarar a realidade, fica em choque.
O texto, inédito por aqui e premiadíssimo lá fora, é do inglês Joe Penhall e o material virou um prato cheio da mão do ator-diretor Guilherme Leme. Estive na estreia na última quintae a temporada vai de quarta a domingo, sempre às 20h, até o dia 3 de janeiro. Para saber mais, visite o site do CCBB RJ.
