Logo CCBB

//////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

Dramaturgias no CCBB

Por Liv Brandão

Desde junho, o CCBB do Rio de Janeiro está desenvolvendo o projeto “Dramaturgias”. Uma vez por mês, um grupo de atores se reúne para fazer a leitura de uma peça de autores contemporâneos russos, argentinos, uruguaios e franceses. Sem cenário, sem figurinos, sem objetos, sem marcação de cena, sem cortina vermelha. Apenas os atores, suas vozes e suas interpretações de textos pouco conhecidos no Brasil.

Para outubro, mês que o CCBB completa 20 anos de história, estava marcado “Concerto de aniversário”, do argentino Eduardo Rovner, até então inédito nos teatros brasileiros. Uma peça curta, de apenas 35 minutos, mas instigante do começo ao fim.

Quatro anciãos, músicos que compõe um quarteto de cordas, se preparam para executar um concerto de Beethoven na televisão. Falam sobre arte enquanto ensaiam para a apresentação, com um preciosismo que beira a histeria.

A perfeição na execução da obra é sua única meta, e todos os obstáculos que se interpõem em seu caminho devem ser removidos – mesmo que isso custe vidas humanas. A dramaturgia do autor argentino desenha um universo de contradições, nos colocando diante de questões incontornáveis”.

Dirigida por Felipe Vidal, a leitura tinha como elenco programado os experientes Otávio Augusto, Nelson Xavier, Nildo Parente e Regina Gutman. No fim das contas, só ela compareceu e leu o texto ao lado dos desconhecidos (por mim) – mas excelentes – Afonso Henrique Soares, José Karini, Lucas Gouvêa e Victor Nalin. Mesmo com a economia de gestos comum a uma leitura, quase uma rádionovela, o grupo me fez entrar na história daqueles quatro velhinhos tão cegamente apaixonados por Beethoven que, por isso, se dão o direito a várias atitudes nonsense. Assassinato, tortura, indiferença e até zoofilia: cabe tudo naquela metáfora à ditadura Argentina, já decrépita como os tais velhos, quando o texto foi encenado pela primeira vez, em 1983. Humor negro puro. Para quem perdeu a história, mas quer ler o roteiro, ele está disponível em inglês no site oficial de Rovner.

  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • StumbleUpon
  • Technorati
  • Twitter

Deixe um comentário