Imagine um dia acordar sem conseguir enxergar. Imagine acordar e não conseguir levantar da cama. Pois é essa é a realidade de milhões de pessoas deficientes ao redor do mundo, que lutam diariamente para conviver com as diferenças e ser inserir na sociedade. Pessoas que poderiam seu pai, sua mãe, seu melhor amigo, ou você mesmo.
Tendo em vista promover a acessibilidade, o Centro Cultural Banco do Brasil realizou pela quarta vez a Mostra Assim Vivemos. Nessa edição foram exibidos 24 filmes de 13 países (Argentina, Armênia, Bielorússia, Brasil, Canadá, Coréia do Sul, Estados Unidos, França, Israel, Noruega, Polônia, Reino Unido e Rússia), todos contam com a participação de atores ou diretores com deficiência.
Quando li a respeito do Assim Vivemos, pensei: “Ok, temos uma mostra de cinema que fala sobre pessoas deficiente. Mas como é possível conseguir acessibilidade nesse caso?”. Então, estive lá para conferir os filmes do último domingo e a reação dos espectadores.
Já na entrada a fila era composta por pelo menos umas vinte pessoas…cegas. Lembrei imediatamente do caso de um amigo meu que se apaixonou por uma moça cega, mas não fazia idéia de como lidar com a situação. Eu não sabia se perguntava como eles iam “ver” o filme ou se ficava por perto para ajudar caso alguém tropeçasse ou chegasse perto demais do guarda-corpo.
Entramos, e logo cada um ganhou um fone de ouvido. Uma mulher foi lá para a gente explicar que, durante as exibições, os filmes seriam dublados e interpretados por dois atores, o que poderia ser ouvido pelo fone. Além disso, haviam as legendas audiodescritivas para pessoas com deficiência auditiva. Com isso entendi direitinho como seria e fiquei mais tranqüila para assistir a exibição.
Foram três filmes:
- Blues da Moça Cega: curta divertido sobre as desventuras de uma cega que sonha apresentar o Saturday Night Live.
- Os Marginais: mistura comédia e thriller, esse curta britânico conta a história de um popstar seqüestrado por deficientes que se envolvem em situações mais que bizarras.
- Sexo, deficiência e videotape: documentário criado a partir de um workshop feito com um grupo de mulheres deficientes. Fala sobre mitos e verdade do sexo para essas pessoas.
Nesses e em outros filmes da mostra, foi possível ver o indivíduo com deficiência como uma pessoa real, com medos, alegrias e sonhos, como eu e você, alguém que não se restringe à cadeiras de rodas ou bengalas. Bem, ano que vem tem mais, mas a programação do CCBB continua à toda. Continuem acompanhando por aqui e pelo twitter.



