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Porque Woody Allen vale à pena

Por Marina Santa Helena

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Desde que a nossa amiga carioca Liv Brandão publicou o post falando sobre a início da mostra “A elegância de Woody Allen”no CCBB do Rio, eu já estava ansiosa para estreasse logo em São Paulo. Valeu à pena esperar, essa semana filmes como Manhattan, Vicky Cristina Barcelona e A rosa púrpura do Cairo já estão em cartaz no CCBB São Paulo e você pode conferir a programação por aqui.

Um dos meus filmes preferidos de Woody Allen é Manhattan. Uma das cenas finais mostra o diretor deitado em um sofá, com um gravador, quase em uma sessão de autoanálise, falando sobre o sentido da vida. Allen pergunta a si mesmo o que faz a vida valer à pena. E vai listando coisas como, Louis Armstrong, filmes suecos, Marlon Brando, as maçãs e pêras de Cézzane…

É possível encontrar esse tipo de questionamento em vários filmes do diretor, que são a razão principal de eu querer assistir todos os seus filmes, que agora estão em tela grande na programação do CCBB São Paulo.

Com isso em mente comecei a listar outros motivos que fazem a obra de Woody Allen valer à pena conseguir de cara listar os sete principais:

Diane Keaton – a atriz é linda (até hoje), talentosa, mestre na arte do improviso e conseguia todos os papéis legais, como Annie Hall ou Mary, em Manhattan.

Sua relação com a cidade – na filmografia do diretor/ator/roteirista a cidade é o agente principal. Há várias declarações de amor explícitas à Nova Iorque e às relações que se desenvolvem na cidade.

Relacionamentos – ex-mulheres, mulheres de amigos, namoradas mais jovens e toda espécie de tipos complicados são responsáveis pelos diálogos mais reais e (ainda assim) mais absurdos em vários filmes.

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Mães judias – Woody Allen não perde a chance de se auto-zoar quando o assunto é religião ou família. Quando sua mãe vai parar no céu em Contos de Nova Iorque e conta as coisas mais contrangedoras para todo mundo, temos o maior exemplo disso.

Passagens secretas – de novo me vem a cabeça Contos de Nova Iorque e também o mais recente Scoop, em que a caixa de um mágico teletransporta as pessoas para outras dimensões.

Improviso – os filmes são quase que uma simples conversa entre os atores.

Agora deixo para os leitores a pergunta: o que te faz gostar de Woody Allen?

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A arte inconsciente de Rappin Hood e dos Gêmeos

Por Marina Santa Helena

Entre as várias coisas que me deixam emocionada (sou mesmo uma manteiga derretida) é ouvir pessoas falando sobre o que fazem e perceber que elas amam aquilo de verdade. Foi isso o que aconteceu ontem, durante o último debate do ciclo Arte Inconsciente do CCBB SP. Quem esteve por lá falando um pouco sobre suas trajetórias foram os Gêmeos e Rappin Hood.

Mediado pelo jornalista Daniel Pisa, o debate começou com os artistas se apresentando e contando como foi o início de tudo, como começaram a criar e que impulsos os motivaram.

rappinhood

Mesmo sem ser fã ou algo parecido, eu incrivelmente já conhecia bastante sobre o Rappin Hood. Acho que isso se deve ao fato de ele ser naturalmente um contador de histórias, alguém que deixa transparecer muito de sua personalidade por meio de suas letras. Hood é um cara que, como ele mesmo diz, já nasceu com os três Pês, preto, pobre e da periferia. Correu da polícia, fez de tudo um pouco, mas, acima de tudo, sempre seguiu o conselho do avô: “neguinho pobre que nem você não pode tirar 10, tem que tirar é 11.”

gêmeos

Sobre a vida dos Gêmeos eu confesso que já não conhecia quase nada, apesar de gostar muito do trabalho realizado por eles. Otávio e Gustavo Pandolfo foram criados no bairro do Cambuci, em São Paulo, e trabalharam como office boys, bancários e estagiários em agência de publicidade, até 1999, quando finalmente veio o primeiro convite para um trabalho no exterior.

O mais interessante sobre a vida desses caras é que suas histórias se confundem com as bases da formação da cultura hip hop no Brasil. Nos anos 80, o movimento consistia em cerca de 60 pessoas que se reuniam no Metrô São Bento para dançar, compartilhar músicas e experiências, e quase sempre acabavam sendo expulsos pelos seguranças do local.”Hoje, quando vem neguinho pedir autógrafo pra gente, sempre lembro dessa época. Vinham uns seis caras atrás de mim e eu com as perninhas batendo na bunda de tanto correr”, diz Hood.

Quando perguntados sobre as principais diferenças entre eles e a nova geração da street art brasileira, tanto os Gêmeos quanto Rappin Hood foram unânimes: os mais jovens têm mais liberdade. Há vinte anos, o hip hop era considerado coisa de marginal, de ladrão, e sequer havia algo chamado “cultura hip hop”.

Segundo eles, hoje as pessoas têm mais liberdade criativa e mais informação, o que é muito bom. Mas, por um lado isso só permite que os realmente bons e que de fato gostam daquilo que se propõe a fazer, se destaquem. Gustavo ressaltou por várias vezes, “a gente nunca buscou o sucesso, a gente só queria de divertir e viver da nossa arte, porque é ela que nos move”.

Se ainda havia alguma dúvida, eles conseguiram provar que a principal diferença entre a boa arte a arte mediana é a quantidade de amor e motivação empregada em seu processo de desenvolvimento.

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E a programação do CCBB continua…

Por Liv Brandão

Foto da exposição Nippon, que o CCBB abrigou em 2008

Foto da exposição Nippon, que o CCBB abrigou em 2008

O mês de aniversário do CCBB RJ chegou ao fim (o que significa que eu completei 24 anos e um mês, heh), mas a programação do centro cultural mais charmoso da cidade (e falo isso com toda a sinceridade do mundo, sou e sempre fui apaixonada por aquele prédio) continua bom-ban-te. Quer ver só?

Artes cênicas

:: A temporada da ótima peça “Laranja azul” vai até o dia 3 de janeiro, sempre de quarta a domingo, sempre às 20h. Se você não leu meu post sobre a peça, só vou te lembrar que ela é encenada por Rogério Fróes, Rocco Pitanga e Pedro Brício e dirigida pelo Guilherme Leme. A história do inglês Joe Penhall passada em um hospital psiquiátrico é sensacional.

:: O projeto “Dramaturgias” tem sua edição no próximo dia 18 (quarta-feira). Os atores Isaac Bernat e Glaucio Gomes vão protagonizar uma leitura da peça “Dizer sim”, da autora argentina Griselda Gambaro sob direção de Henrique Tavares. Saiba como foi a última edição clicando aqui.

:: Pelo quarto ano consecutivo, a “Mostra Estudantil de Teatro” ocupa os teatros do CCBB RJ com uma extensa programação que vai de Brecht a Nelson Rodrigues adaptada por jovens talentos vindos da CAL, do Nós do Morro, do Tablado, da UNIRIO… as sessões vão até o dia 27 de novembro.

:: “Theatro Musical Brazileiro”: a releitura do premiadíssimo espetáculo de Luiz Antonio Martinez Correa também segue pelo CCBB até o início do ano que vem. Vale lembrar que o espetáculo marcou o início de toda uma produção de musicais na década de 80. Este relembra justamente a era de ouro dos musicais, entre 1860 e 1945. A supervisão é da Bibi Ferreira e a direção é de Fábio Pillar.

Música

:: A delicinha de evento que é o “Pode apostar!” termina já na semana que vem, com um show da excêntrica Silvia Machete que pro-me-te (ops, rimou). Reza a lenda que ela até vai tocar aquela versão in-crí-vel de “Sweet child o’mine” (sim, essa mesma), que você ouve aqui, no MySpace da moça. Ela sobe ao palco duas vezes no dia 17, às 12h30 e às 18h30. Não dá pra perder. Eu não pretendo. Não esquece que o evento rola em São Paulo e Brasília também.

:: Se você faz o estilo clássico, sugiro a série “Villa-Lobos: Serestas, Choros e Crianças – 50 anos de saudade”, que começa no próximo dia 24. Morto em 1959, o compositor brasileiro é homenageado em quatro concertos que vão do violão ao choro passando pela apresentação de crianças e jovens e a ponte entre o popular e o erudito. Todos com elenco de peso. Pra ver quem toca o quê e quando, clica aqui.

Cinema

:: Woody Allen continua reinando no CCBB até o final do mês. Eu já disse que “A elegância de Woody Allen” é a maior mostra em homenagem ao diretor já feita no mundo, né? E disse também que ela vai exibir to-dos os filmes dirigidos, roteirizados ou mesmo atuados por ele? E que os filmes são (e serão) exibidos em película? Disse, né? Então confere a programação aqui, as sinopses aqui e monta sua agenda.

:: Outro que merece respeito e vai ganhar uma retrospectiva é o diretor Pedro Almodóvar. Todo o drama, o calor, o exagero, o suingue, a obsessão e as maluquices do espanhol vão estar lá, na mostra “Planeta Almodóvar” a partir do dia 24 de novembro – e com entrada franca. A programação completa vai ser divulgada em breve, mas já dá pra imaginar que a coisa vai ser boa.

:: O francês Jean Vigo morreu cedo, aos 29, fez poucos filmes e mesmo assim merece ser lembrado. Em “A propósito de Jean Vigo”, os quatro filmes dirigidos por ele serão exibidos no CCBB. Vale lembrar que os filmes foram produzidos na década de 30 e, portanto, não são nada fáceis de se achar por aí. Olha a oportunidade batendo à porta. A mostra começou no dia 10 e vai até o dia 15. Corre.

Exposições

:: Os muitos trabalhos inspirados nas sombras de Regina Silveira continuam em exposição até o dia 3 de janeiro. Mas se você ainda não viu nem a mostra “Argentina hoy”, com o melhor da produção artística contemporânea dos nossos hermanos ou a bela retrospectiva das esculturas de Abelardo da Hora, sugiro não perder mais tempo: a primeira vai até o dia 22 e a segunda se encerra no dia 29.

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A programação do CCBB é extensa, dinâmica e sempre aparecem coisas bacanas que valem a visita ao centro. Pra ficar por dentro, acesse o novo site, agora com endereço fácil de guardar: http://www.bb.com.br/cultura. Vale pro Rio, São Paulo e Brasília.

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